
O envelhecimento tem sido uma pauta cada vez mais frequente entre os brasileiros.
Fala-se muito em envelhecimento saudável, qualidade de vida e longevidade.
Mas afinal… o que é envelhecer?
Envelhecer não é sinônimo de doença.
Muitas pessoas ainda associam o envelhecimento a imagens de dependência, fragilidade e limitações. Esse preconceito tem nome: etarismo.
O problema é que essa visão distorcida faz com que muitos deixem de procurar o cuidado adequado, acreditando que só se deve ir ao geriatra quando “já está tudo errado”.
Mas isso não é verdade.
O envelhecimento não é uma doença — é um processo natural, universal e inevitável, que acontece com todos nós, independentemente de bons hábitos de vida.
Assim como os cabelos ficam brancos, os órgãos também passam a funcionar de maneira diferente com o passar do tempo, mesmo quando, externamente, tudo parece estar bem.
E é exatamente aí que mora o maior risco.
Envelhecimento saudável não é só sobre hábitos.
Hoje vemos muitos profissionais falando sobre longevidade, suplementação, dieta e atividade física — e isso é importante.
Mas é fundamental entender que orientar hábitos saudáveis não é o mesmo que cuidar de um corpo que envelhece.
O organismo maduro tem características próprias:
• menor reserva funcional dos órgãos
• respostas diferentes aos medicamentos
• maior risco de efeitos colaterais
• maior vulnerabilidade a perdas funcionais silenciosas
Sem esse olhar especializado, decisões aparentemente simples podem acelerar processos de fragilidade, dependência e perda de autonomia.
Qual é, então, o papel do geriatra?
O médico geriatra é o especialista que entende profundamente o funcionamento do corpo ao longo do envelhecimento.
Ele avalia:
• reserva funcional dos órgãos
• riscos de fragilidade
• impacto real dos medicamentos
• interações e excessos terapêuticos
• prevenção de quedas, demência, dependência e hospitalizações
O geriatra atua como o líder do cuidado, organizando decisões médicas para que o indivíduo envelheça com segurança, autonomia e independência pelo maior tempo possível.
Quando procurar um geriatra?
A recomendação é clara:
• A partir dos 60 anos: pelo menos uma avaliação geriátrica anual
• Antes disso, se houver:
• múltiplas doenças
• uso de muitos medicamentos
• quedas
• alterações de memória
• perda de funcionalidade ou autonomia
A frequência das consultas vai depender de cada paciente, conforme os riscos e necessidades identificados na avaliação.
O mais importante é entender que o geriatra não entra quando a independência acaba — ele entra para que ela seja preservada.
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